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Dom Marcelino Daiji TANI, Bispo de Saitama Presidente da Comissão Católica para Imigrantes, Refugiados e Itinerantes

Mensagem para o 91º Dia Mundial dos Migrantes , Refugiados e Gente em Movimento.(2005)

Para libertar os cativos

No Japão existem três lugares que levam o nome de “Centro de Detenção para Estrangeiros”. Quem são estes “estrangeiros detidos” nestes centros? São ladrões? Assassinos? A maioria das pessoas que foram detidas, deixarams seu país e vieram para o Japão por não terem meios para sustentar suas famílias. São pessoas sérias e bons trabalhadores banhados no suor executando trabalhos mal pagos. O único motivo de estarem detidos: seu visto para permanecer no Japão expirou. Foram reclusos em celas pequenas, obrigados a viver numa situação sem o mínimo de privacidade. Dia após dia,os casais são separados, os pais afastados de seus filhos e as cartas censuradas. Além do mais, enquanto continuam a viver este tipo de vida, não se lhes informa quando esta situação terminará. Neste ambiente seu condicionamento físico se deteriora e perdem o equilíbrio mental. Mais ainda foram reportados os casos seguintes:

1) Foi-lhe informado que seriam dois meses de detenção, mas passou mais de um ano. Um asiático, com visto vencido, casou-se com uma japonesa. Registraram o casamento no Cartório da Cidade e, depois de um logo período de negociações, foi possível regularizar a situação familiar. Ao receber o documento, apresentaram-se no Centro de Emigração para obter o visto. Aqui também foi necessário um longo tempo de negociações. Finalmente, foi informado que por haver estado indocumentado, teria que ser detido por dois meses. De fato foi libertado 14 meses depois e ainda transcorreram vários meses antes de receber o visto. Por quê teriam que agir de forma tão mentirosa?

2) Vítimas do tráfico humano também são detidas Mulheres enganadas por traficantes aduladores, continuam chegando ao Japão, vindas do Sudeste Asiático e da América do Sul. Estas mulheres a quem se lhes prometeu trabalho fácil e bem remunerado no Japão, são obrigadas a vender seus corpos. Sem perceber, chegam ao ponto de acumular sobre seus ombros grandes dívidas para com os traficantes e são obrigadas a “trabalhar” dia e noite para saldá-las. Os passaportes são seqüestrados e no caso de se negarem a fazer o que mandam são ameaçadas de morte, não só elas, mas também seus familiares nos países de origem. Quando a polícia as detém por não terem documentos, o Ministério da Justiça as encerra em centros de detenção como se fossem criminosas, sem levar em conta se o são ou não. Sendo evidente que estas mulheres são vítimas, por quê devem ser obrigadas a sofrer ainda mais?

3) Até mesmo crianças pequenas são detidas Ao término de um longo tempo de detenção, são mandados de volta aos países de origem pelo braço forte do governo do Japão (deportação forçada). Nessas ocasiões, quando a detenta é mãe, as crianças que foram reclusas nos centros de detenção, são obrigadas a regressar ao país de origem com ela. Embora dizendo que é por tempo breve(por uns 10 dias), por quê crianças pequenas tem que passar por esta situação, confinadas em espaço reduzido, sem contato com o exterior, no meio de adultos que, no mínimo, estão sob estresse e seriamente transtornados?

Num país, no qual se poderia ter a esperança de cantar sobre a proteção dos direitos humanos, estas violações perturbam nossas mentes e nos causam surpresa que sucedam todos os dias. Estes fatos nos fazem lembrar as palavras de João Paulo II, freqüentemente pronunciadas aos jovens, “Os cristãos, como tais, devem escutar o clamor que vem da multidão de migrantes e refugiados suplicando ajuda, e alimentar com compromisso ativo perspectivas de esperança que anunciem a aurora de uma sociedade aberta e solidária” (Mensagem do Papa para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados 2005). Creio que uma vez mais deveríamos renovar nossa determinação de continuar construindo um mundo no qual “não existam pessoas encarceradas sem motivo”

25 de setembro de 2005



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